Não pude me furtar e não escrever sobre os últimos acontecimentos advindos da Parada Gay em São Paulo. Afinal, não se pode estudar, escrever ou falar sobre ética, sem que tenhamos a premissa básica do respeito por tudo e todos que nos cercam.
Com que direito posso arvorar-me a juiz e decidir que uma pessoa não pode viver em função de sua opção sexual? Por que tanto ódio a essas pessoas?
Não sou de levantar bandeiras, pois falta-me competência para fazê-lo, porém, vivencio no dia a dia, desde pequenos comentários a afirmações conclusivas, extremamente preconceituosas e algumas vezes carregadas de ódio, sobre a questão do ser gay.
Claro que não é fácil para os pais, por exemplo, entender que um filho ou filha possa ser diferente. Também, entendo que o comportamento agressivo de alguns homossexuais, seja algo normal. Por mais compreensão que se tenha, como ver de forma tranquila, uma mãe que fica se agarrando a outra mulher na frente de uma filha ou filho?
Alguns podem me chamar de hipócrita, mas da mesma forma não acho bacana expressões exageradas de afeto em público pelos ditos casais normais. Não entendo que o amor precisa ser público para existir. Daí, de forma controversa não entendo a busca exagerada dos gays em repetir os modelos dos chamados casais tradicionais, inclusive na famosa cerimônia de casamento.
Parece que essa repulsa, ódio ou o que quer que se seja, é fruto de um poder que implicitamente existe nos seres humanos, e vale recordar que nem sempre essas reações violentas vêm do homem, muitas vezes o chamado "sexo frágil" (olha aí uma expressão preconceituosa), assume posições de puro ódio ou não seria rancor, quando sabe que "aquele homem fantástico é gay" ...
As diversas variações da espécie humana, como sempre extremamente complexas, realmente incomodam, principalmente quando o tema é sexo, mas precisamos criar mecanismos que evitem os excessos e barrem de forma imperiosa esses doentes assassinos.
Para refletir: é engraçado, mas na cadeia, há entre os presos, códigos ( que não consigo chamar de éticos, mas que na verdade o são), nos quais uma das penalidades existente é a sodomia... Aí eu penso, e só tem macho lá...
Nos últimos dias esse tema não me sai da cabeça. Em que pese já ter tido contato direto com a morte, pois perdi meu pai e minha mãe no mesmo ano (2002), os últimos dias foram de notícias trágicas.
Então fiquei pensando: seria a morte ética? Ou melhor, há ética na morte? Mais ainda, pode-se ter uma morte ética ou antiética?
Na verdade, se a base da ética é o respeito, pelo menos na minha concepção, quando a morte faltaria ao respeito, considerando que a vida pressupõe um fim e esse fim é a morte? Daí entendo que não há mentira na morte, pois é fato concluso desde que nascemos. Assim, não posso dizer que a morte tem uma característica mentirosa, o que seria um fato antiético.
Porém, creio que há algumas situações a se pensar: como, por exemplo, quando se morre muito cedo, de forma abrupta, será que a morte não poderia esperar um pouco mais e deixar aquele ser realizar mais em vida?
O que dizer então dos que vivem fazendo o mal de forma constante e vivem muito, parecendo que a morte reluta em buscá-los, não seria aí uma atitude antiética da morte, que leva o bom e deixa o mal? Fazendo uma escolha individualista e não pensando no social? Considerando-se aqui que a ética trata de um bem coletivo.
E quando se morre por falta de comida e/ou água? Por falta de medicamentos ou saneamento básico? Quando se morre por consumo de álcool, fumo, drogas? Quando se morre por falta de amor? Não seriam mortes antiéticas?
Bom, divaguei demais no texto, mas é o momento. Um momento inconcluso de perdas que causam dor. Mas, sei que essa dor que sentimos quando perdemos um ente querido, é um sentimento egoísta (e, portanto antiético), pois no fundo, no fundo, não choramos a morte de quem se foi, mas sim a falta que essa pessoa vai nos fazer.
Ame intensamente quem merece ser amado, aqui e agora, pois a morte é inevitável a quem vive, seja ela ética ou antiética!
Algumas vezes sou impulsivo e mesmo depois dos 40 ( já cheguei aos 44), vejo-me tentando controlar-me, mas, como nem sempre conseguimos ser "zen", volta e meia falo ou desenvolvo uma ação que deveria conter.
Daí, lembro-me de uma entrevista dada pelo filósofo David Livingstone, onde ele diz que somos criados na mentira e odiamos a verdade. Como sou professor de Ética, sempre uso esse texto nas minhas aulas. Pois, no fundo, é uma verdade. As regras sociais nos impõem situações onde a mentira prevalece sobre a verdade, até mesmo para evitar as situações ditas inconfortáveis.
Já pensou você sair por aí dizendo apenas a verdade? Começaria o desconforto logo dentro de casa, com o seu parceiro ou parceira. Imagine, então no trabalho, você dizendo para o seu chefe ou seus pares o que você realmente pensa ou sente. Confusão total. E, também, penso se eu estaria preparado para ouvir todas as verdades a meu respeito.
Agora, não sei se é uma defesa que tenho, mas muitas verdades que já me disseram, serviram-me para reflexões diversas, pois já tive todas as fases que as idades me permitiram, e hoje percebo que me cobrei mais do que fui cobrado. Penso, também, que algumas pessoas, em alguns momentos, conseguiram me desestruturar com algumas "verdades ditas", mas que depois percebi que aquelas "verdades" eram sentimentos de inveja camuflados.
Por isso, eu tento sim ser verdadeiro, principalmente com o amor da minha vida, que vive ao meu lado e me apóia com as suas verdades, mas só tenho essa capacidade de verdade, quando consigo passar para o outro a carga de amor que há nessas declarações verdadeiras. Quando isso não acontece, rendo-me às regras sociais e sou civilizado. Aliás, como diz a Glória Kalil, "ser chique é ser civilizado", só que nessas civilidades quase sempre encontramos um terreno fértil para as mentiras.
Em que pese todas as discussões atuais sobre ética, passando, inclusive, pelos nossos representantes no governo, faz-se mister uma reflexão sobre a questão da ética nas empresas.
Em geral, o fator ético é item preponderante na missão das empresas, aparece sempre como fator de destaque, principalmente nas empresas prestadoras de serviços.
Assim, a reflexão que se propõe é talvez uma hipótese a ser confirmada: seria a ética apenas um mecanismo do chamado "marketing positivo" ou se pode realmente agregar valor a uma empresa partindo-se de ações éticas?
Inicialmente, poder-se-ia definir ética empresarial como um padrão de comportamento baseado em valores próprios, a serem seguidos pelas pessoas que compõem a organização, assim entendendo-se não só os empregados, bem como os seus proprietários.
Observa-se então, que essas ações éticas, seriam por assim dizer, ações de 360 graus, pois envolve a relação patrão - empregado, empregado - clientes, clientes - patrão, bem como entre a organização e a sociedade onde está inserida.
Na verdade, os chamados códigos de ética empresarial são restritos aos empregados de determinada organização, estes "indicam um novo padrão de conduta interpessoal na vida profissional de cada trabalhador que esteja exercendo qualquer cargo em uma organização" (LISBOA, 2002).
Então, têm-se códigos específicos para organizações específicas, porém, entende-se que alguns requisitos básicos devam ser observados numa empresa que almeja uma postura ética.
Pode-se citar, entre outros: que o líder seja o primeiro a deter uma conduta ética dentro dos padrões, criação da função de "ouvidor" dentro da organização, cabe aqui destacar a distinção entre o ouvidor externo (atende os clientes) e ouvidor interno (atende os empregados), utilizar os sindicatos e as associações de classe para debates e seminários sobre ética, manter uma comunicação direta entre a administração e os empregados e acima de tudo cultuar os chamados valores do bem (honestidade, caráter, competência, sinceridade, entre outros).
No Brasil, a busca por uma identidade de empresa ética e cidadã aflorou-se principalmente com a Natura, já que foi esta empresa uma das primeiras a investir na questão da responsabilidade social e foi, também, através dela que se pôde observar o efeito "monetário" dessas ações.
A Natura passou a ocupar um espaço diferenciado e seus produtos foram posicionados numa faixa de preço que se justificava pelas ações sociais que seriam desenvolvidas pela empresa.
Ao mesmo tempo, empresas com atividades poluentes, que não tinham preocupação com a questão ambiental, ou melhor, que não promoviam o chamado desenvolvimento sustentável passaram a ter as suas ações desvalorizadas e produtos boicotados.
É fácil observar que vários produtos, atualmente, trazem selos que atestam não a sua qualidade, mas a forma como estes são fabricados, tipo: não utiliza trabalho infantil, não polui o meio ambiente etc.
Um outro viés a destacar-se na questão ética, refere-se a devoluções de produtos ou propaganda negativa, decorrentes de vendas realizadas sem atender ao que se propõe na propaganda do produto ou serviço, ou as famosas entrelinhas, que são suprimidas para que a venda se realize com a maior velocidade possível.
Observem-se, também, as queixas no PROCON. Hoje, o consumidor, mais atento aos seus direitos, quando percebe que foi enganado ou entende que assim o foi, não fica apenas na propaganda negativa, os processos judiciais nos juizados de pequenas causas são números que atestam à conseqüência da falta de ética.
Mudando-se de foco, vale ressaltar que uma empresa com atitudes antiéticas com seus empregados sofre também mais processos trabalhistas e consequentemente vê parte de seu resultado ser direcionado para provisões judiciais e custas processuais.
Retornando então à hipótese aventada no início deste texto, pode-se concluir que a ética empresarial pode sim agregar valor a uma empresa, principalmente quando agrega a esta uma imagem positiva.
Aliás, segundo Gitman (2004), as empresas ao desenvolverem um programa eficaz de ética, podem, preservando e ampliando o fluxo de caixa, reduzir o risco percebido e assim afetar favoravelmente o preço de ação da empresa, ou na nossa realidade, aumentar o seu valor no mercado.
Os seres humanos consomem produtos e serviços do minuto em que acordam até o momento de dormir. Consumimos água, pasta de dente, energia elétrica, arroz, molho de tomate, gasolina, roupa e também música e educação.
È por isso que ouvimos a todo minuto que o consumo precisa ser “consciente”. Porque consumir é uma ação que está presente o tempo todo em nossas vidas. O Instituto Akatu afirma que consumir conscientemente é consumir de um modo “diferente” (tendo no consumo um instrumento de bem estar e não fim em si mesmo), “solidário” (buscando os impactos positivos do consumo para o bem estar da sociedade e do meio ambiente) e “sustentável” (deixando um mundo melhor para as próximas gerações).
Como isso acontece na prática? Toda vez que nos preocupamos, por exemplo, em saber de onde vem o produto que queremos comprar (regional, nacional, importado?) ou como ele foi produzido (condições normais de trabalho?).
Quando optamos por comprar lâmpadas ou eletrodomésticos que possuem o selo Procel (Programa de Conservação de Energia Elétrica) também estamos consumindo de forma mais consciente. O selo garante que aquele produto está entre os mais eficientes do mercado, ou seja, gasta menos energia elétrica do que produtos semelhantes que não tenham o selo.
Abaixo, separamos mais dicas do Akatu para os leitores do Auxina:
Outras orientações estão disponíveis no especial sobre consumo publicado pelo Planeta Sustentável. Aproveite e faça o teste e descubra se você é um consumidor.
fONTE: http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/auxina/158850_post.shtml
- E então, que tal fazermos uma campanha pelo consumo consciente?
|
||
![]() | ||
|
|
||
![]() | ||
![]() | ||
|
||